Posteriores da Coxa – Campeões mundiais de lesões na Copa do Mundo 2018

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Olá Personal,

A copa do mundo acabou e já deixa saudades! Muitos jogos excepcionais, muitos dramas pessoais, muitas decisões dramáticas. Agora só daqui quatro anos.

Mas eu quero aproveitar a copa para falar de lesões! Sim, a copa sempre tem muitas lesões. Uma das razões é o fato dos jogos seriam muito decisivos. Para a maioria dos atletas aquele será o maior momento da sua carreira, quiça da vida. Então o fator emocional pode contribuir para o alto número de lesões.

Mas eu acho que não é só isso. Eu acredito que a preparação pode ser muito responsável por grande parte dessas lesões. E para falar sobre isso vou usar o trabalho de um grande amigo meu e excelente profissional o professor Altamiro Bottino que hoje trabalha no SPFC. Ele levantou a incidência de lesões ao longo da primeira fase da copa e um dado me chamou atenção. Os Isquiotibiais são o campeão mundial de lesões no futebol. Sim, além da França temos outro campeão mundial aqui. E é sobre isso que eu quero falar.

Todas as vezes que participei de alguma atividade relacionada a futebol profissional uma coisa me chamou muita atenção. O grau de mobilidade de atletas profissionais é muito limitado. A maioria deles sequer toca o chão. Muitos não passam dos joelhos quando pedimos para tocarem suas mãos no chão. Logo, vemos um enorme encurtamento.

Aqui é sempre importante lembrar que lesões podem ter infinitas causas. Não da pra ser determinista. Mas uma delas é a falta de mobilidade. Todo corpo com baixa mobilidade – tanto no geral como em algum segmento específico – tem limitada sua capacidade de dispersão de forças e muitas vezes tende a concentra-las em algum ponto. No caso do futebol a demanda das cadeias posteriores são imensas e associadas a baixa mobilidade destas cadeias torna essa região extremamente predisposta a lesões. Isso sobrecarrega demais os isquiotibiais nos 3 planos de movimento. E aqui é o ponto que eu quero abordar. Os isquiotibiais. assim como qualquer músculo do corpo, são ativados tridimensionalmente. E ao contrário do que está nos livros de funções musculares a sua importância é muito maior no plano transverso que em qualquer outro plano. Isso é fácil constatar quando vemos as inserções e origens deste. Na sua porção inserida no joelho ele está fixado em ambos os lados, o que faz com que ele trabalhe como rédeas de cavalo, influenciando e sendo influenciado por qualquer movimento do plano transverso. Já na sua porção do quadril vemos que os 3 músculos que compõem os isquiotibiais – semi membranoso, semi tendinoso e bíceps femural – são fixados em lugares diferentes. Inclusive o bíceps tem uma porção que sequer cruza o quadril. Esses pontos diferentes são para desacelerar melhor as demandas dos planos transverso e frontal. Esse assunto podemos retomar em outro post mas a questão é que é um músculo com múltiplas funções e tridimensional.
Porém, poucas pessoas estão antenadas para essa questão. E tratam os isquiotibiais como um músculo preferencialmente do plano sagital. E pior, não acreditam que ele sofre tanta lesão por baixa mobilidade e sim por não estar forte o suficiente. Eu particularmente acredito que atletas de ponta, esses que jogam copa do mundo, não tem essa musculatura fraca mas mal compreendida.

E qual a consequência disso?

A primeira é que não é feito um trabalho para desenvolve-lo 3Dimensionalmente apesar da demanda do futebol ser extremamente 3Dimensional. A segunda é que para previnir, os atletas fazem treinos em mesas/cadeiras flexoras. Aqui tem um monte de problemas que podemos também trazer num próximo post, como a falta do trabalho em cadeia de reação, como a não observação da forças físicas como gravidade, inércia e força de reação do solo, a falta de estímulo 3Dimensional, a falta de um movimento integrado (que é o caso de todos os movimentos feitos no futebol), e muito mais. Mas um problema se faz muito presente. Esse tipo de “fortalecimento” gera como resultado um encurtamento o que faz com que o problema de mobilidade se agrave. E como o jogo exige mobilidade 3Dimensional, quanto mais você treina dessa maneira pior você fica. Ou seja, menos preparado para as demandas do jogo você está.

A solução? É tão simples que nem parece verdade. Treinar de acordo com a demanda do jogo. E o jogo exige 3Dimensionalidade, movimentos integrados, treinos proprioceptivos, treino em cadeias de reação, preocupação com as forças físicas. Precisamos abrir a cabeça e enxergar o simples.

Grande abraço

Samorai

3 comentários em “Posteriores da Coxa – Campeões mundiais de lesões na Copa do Mundo 2018

  1. Muito bem pensado,
    Os Atletas que usam o modo convencional passam por todo este processo
    Pós treino e durante o exercício “jogo de futebol”.

  2. Excelente post, bem explicado!
    Acho que a preparação física do futebol deve mudar.
    Devemos tirar os jogadores das máquinas e propor mais movimento, principalmente movimento nos 3 planos.

    Abraço e até a próxima….

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